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sábado, 18 de junho de 2011


O dia adia o nosso encontro, pronto!
Eis as constatações:
De uns tempos para cá a vida
anda tão igual(ou será que fui eu que mudei?)
Nesse período, dias e noites foram
tocados com as mesmas notas, mas em
tempos diferentes.
Na TV, os mesmos programas de sempre,
trazendo o mesmo entretenimento,
e este, produzindo monólogos
que silenciam famílias.
Nas ruas, os carros correm, as pessoas
também, os corações batem, porém não
se tocam, as pessoas se olham mas não se veem ...

No meu peito há confusões
soluços e soluções convergindo
e criando um vento de vida.

Vejo um mundo que se tornou tonto,
(talvez por dar tantas voltas e não chegar a lugar nenhum)
Guerras explodem com proporções enormes, aqui e ali,
mas poucas pessoas sabem, e se sabem, pouco se importam .
O dia-a-dia sem você me permite
perceber o que me envolta, e tudo isso para eu saber
que se você estivesse por perto
eu estaria bem mais feliz.

domingo, 5 de junho de 2011

Fica sempre essa esperança de te
adivinhar a todo momento,
e de crescer contigo, te olhar
dentro dos olhos por alguns
instantes, e dar um sorriso leve
, passar a mão pelo seu cabelo, e
tocar sua cintura, e depois te
apertar contra o meu peito, te
respirando devagar, algo parecido
com as ondas do mar, quando
se entregam à areia da praia, e
depois se recolhem para aquela
solidão imensa, e te dizer, como
quem brinca, que a curva do seu
sorriso me faz perder toda a direção .

(Para ser poeta não é preciso ser um pessoa, basta ser pessoa)

domingo, 22 de maio de 2011

Interior


Azul, o céu invade a minha janela e eu a ela me incorporo.
Na rua sorrisos vestem-se de lábios pintados
e brincos brincam em orelhas, por detrás de cabelos pretos e
castanhos, vestidos rodam em corpos suados e você de
arco-íris, não sabe o quanto te quero.
A alma trêmula à revoada dos pássaros e vejo seu corpo
arrepiando-se ao passear do vento, ah!Que momento.
Você ao me ver vem me cumprimentar,
o que teria feito eu para merecer tal atenção?
Não sei, mas pouco me importo, apenas te beijo.
Quando você se vai, há um lugar a mais na minha
calçada e uma saudade a mais no meu coração...
Os vestidos, os brincos e os sorrisos começam
a se distanciar, meu irmão pergunta
onde a mãe colocou o copo dele tomar leite
e eu percebo o quanto nossas vidas
estão atreladas ao devenir do tempo
e o quanto o tempo é curto para
aqueles que se divertem.

(Longe da cidade grande a idade ainda se expande um pouco mais devagar...)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Sombra e dúvidas

 
                                
Às vezes eu invento loucuras, loucuras
tantas... Mas não é intencional.
Existe uma parte de mim que
não me pertence, parece ter vida
própria, e que se esconde, mas quando
resolve aparecer, nossa! Me domina.
Na verdade, minha mente mente para
mim, e eu acredito, e por acreditar, tomo
isso como verdade, e sigo, e isso tem
me ajudado a saber quem eu me torno
a cada dia, e ao mesmo tempo me
empurra para tentar descobrir
aquilo que são as minhas suspeitas.
É uma reunião de “Mins”, um diálogo
a sós, a descoberta dos meus “eus”, nus
e crus, tudo isso em face de uma
ininterrupta construção x desconstrução
das minhas verdades, dos meus “sins”, e
dos “nãos”, do que eu vejo em mim
como qualidades e como defeitos, diante
de todos os textos que há no lado de
dentro, e de fora, diante da possibilidade
de fazer muitas coisas, e impossibilidade
de tantas outras, a aceitação das minhas
fraquezas, e o apoio àquilo que me faz
forte, e depois, quando isso vai embora, eu
fico com a impressão de que ele vai se sentar
à sombra da minha alma...

domingo, 8 de maio de 2011

O poeta vive de poesia?
E esta, vive daquele?
Não sei, mas confesso
que me confessar é
muito difícil e que
um tal ritmo tem
embalado o meu

coração, que tem se
divertido no meio da
rua, dentro da água, aqui
e ali...ali no céu .

Quero escrever um
verso que tenha um
pouco de ternura, que
me eternize como abraço

que se dá em criança,
que tenha a leve beleza
de contemplar o seu sono,
e que ao acabar, espalhe o
seu perfume pelo resto do futuro .

Quero fazer um verso de
atenção e segurança, e que
ele seja um pouco de diário
para que quando você o abrir
descubra que numa dessas
muitas noites que se foram,
eu deixei escapar um devaneio
dizendo que “...ouvir a chuva passeando lá fora e dentro da madrugada
me fez sentir vontade de morar aí, dentro de você. “

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Tenho veneração pela palavra
saudade, e respeito
pela palavra azul.

Há tempos que morro e
continuo morrendo, e
há dias que nasci e
continuo a nascer.

Tenho destruído todos os
meus sentidos quando
os uso, e vou me acumulando
para inundar-me e me
transbordar num poema.

Às vezes eu choro, e prefiro
pensar que minha alma está
varrendo a terra, e quando
me sento numa sombra, ela
me carrega para dentro
e eu sinto todo o universo
que eu nunca poderei ver.

Enxergo a paixão como
o amor quando ainda criança,
e prefiro chamar de loucura
as essas coisas maravilhosas
que sinto, mas que nunca
vou conseguir dizer.

Aprendi a gostar do “eu amo você”
que não é dito, mas fica implícito
naquele sorriso que eu
me reconheço como alvo.

Um poema me disse ser muitos
momentos em um só, e hoje...hoje um
verso me olhou como quem olha
de dentro da própria casa, saiu,
veio me cumprimentar, cravando
seu nome em minha mão.

terça-feira, 12 de abril de 2011


Por que ser início, meio ou fim?
-Eu prefiro é ser estrada.

Por que verão ou inverno?
-Eu estou no passar do tempo.

Por que o samba ou rock?
-Eu gosto é de música.

Por que a loira ou a morena?
-A mulher é o encanto.

Por que a praia ou interior?
-Eu gosto é de viajar.

Por que short ou calça?
-Eu quero é me sentir bem.

Por que não decide o que quer?
-O que eu quero é o momento
e tudo o que está por fora ou por dentro,
seja lá o que for.

Por que pensas assim?
-Não sei, e nunca vou saber,e se eu soubesse
deixaria de ser eu .

Por que és tão contraditório ?
-As coisas têm muitos lados; contradição
pode ser sinônimo de sua capacidade de perceber
essas nuanças, mas nem por isso, ter tanta certeza.

Por que não me deu as respostas
que eu queria?
-Porque eu falei o que eu penso,
e isso vai além do que você quer .

Por que és poeta ?
-Porque eu não tenho certeza.
Tem certeza disso?
-Também não!

( Espíritos como o meu nunca chegam ao final de nada...para eles , a chegada é o início de um novo retorno …)