Páginas

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Saber-se amado é como se você fosse pego
no colo dentro do próprio peito.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Nas ruas de minha infância 
as casas estão todas em ruínas. 
Estou à espera dos meus trinta anos
com a mesma calma de quem ganha
um carinho amoroso, e com o mesmo 
medo de criança deixada sozinha em alguma
esquina desconhecida.

A minha saudade, de muitas cores,
leva tempo para aparecer, e é
como um viajante que vai colecionando
lembrancinhas de todos os lugares
por onde passou.

Conheço pessoas que me conquistaram
pelo sorriso, e pela maneira como
me olharam. Vejo, por baixo da minha lágrima
que a morte é uma afronta, um desrespeito
a quem está vivo, e sinto este silêncio,
este silêncio atravessado pelo vento,
e este vento balançando as flores na terra...
Sinto ser o vento e o silêncio de um pós-guerra.
Deixei de ser descente... Agora serei crescente...

segunda-feira, 13 de agosto de 2012


Quando a minha memória ainda 
se lembrar de ti, mas o meu 
coração já tiver te esquecido,
eu vou olhar para você e estar tranquilo.
Não por maldade ou desprezo
mas por verdade.
Pela verdade que pulsava incessante,
mas que perdeu a veia, pela verdade 
que se foi, enquanto o meu peito ficava...

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Saudade é quando alguém vem nos visitar...
mesmo não estando mais aqui.

segunda-feira, 9 de abril de 2012


Tente manter a calma. Respire fundo. Dissolva a raiva. Petrifique o ódio. Queime o ciúme. Lave todos os cantos da decepção. Cante. Perfume-se. Diga que não vá. Não fique. Seja esperança. A vida pede mais, a vida lhe quer mais. Há quem espera te ver, e paisagens que nunca saborearam o teu riso. Guarde-se e se dê a elas. Tenha pensamentos mais altos que os silêncios. Sei que a verdade nua e crua tem um gosto não tão agradável, mas peça outro prato. Mude o vestido, se esse lhe aperta demais. Tire o salto se caso ele machuca os seus calos. Não se feche. Há tantas formas de se ver a vida - observe a rua calada - e há tantas formas de vida a serem vistas – olhe com os olhos de pássaro. Há tantas manhãs de sábado que ainda te querem no colo, e amores que ainda esperam para serem seus. Mantenha a calma e aproveite a beleza...
Menina, o amor magoado não sabe pedir para ficar, mas lembre-se que o amor é uma beleza à parte... e não importa o lugar onde esteja.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Não há arrogância que não se ajoelhe 
perante uma saúde debilitada.

quarta-feira, 28 de março de 2012

De vez em quando tenho a nítida impressão 
de que quem de fato não se importa, 
é, de fato, muito mais feliz.

sexta-feira, 23 de março de 2012

A brincadeira só é saudável enquanto 
não mexe com algo que nos é importante.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Só quem já sentiu o (des)gosto da agonia
sabe o que é sentir vontade de não sentir nada.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A raiva é um dos combustíveis
da verdade, e o ciúme, do cinismo.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Pequenas frustrações:
Ser capaz mas não ter a mínima vontade de...
Ter muita vontade mas não ser capaz de...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Por mim

Descobri que gosto de coisas simples, de gente simples, e de verdade. Descobri que gosto quando o sol entardece a minha saudade e percebi que ser poeta é ser previsível e não o ser, como o amanhã, e que poesia é um tatuar-se fora da pele. Descobri que gosto da casa quando está cheia, mas cheia de quem eu gosto, e também quando está vazia, pois é quando percebo todas as faltas. Hoje sei que gosto de fotos antigas e de gente de bom senso, e que o inverso do meu verso, é mudo, e para que eu o entenda, eu preciso ficar em silêncio. Descobri pessoas que ainda valem a pena. Descobri que sou humano demais, e que sou apaixonado. Descobri que os grandes momentos são bem curtos, e que o vento e a neblina são o único casal que se dispõe a sair de mãos dadas em dias de muito frio. Descobri que nós planejamos a vida sem desconfiar que ela faz o mesmo com a gente. Descobri que não existem segredos (alguém sempre sabe), e me disseram que o conhecimento liberta, mas não me falaram que era uma liberdade para outras prisões. Descobri que paixão é um tipo de problema de vista que não está nos olhos. Descobri que solidão é termos um amor que já deixamos de ter. Descobri que não se discute o gosto quando ele é o mesmo. Descobri que quando sentimos saudade de casa, nosso coração se torna a casa da saudade, e que comer a comida da minha avó é como comer um pedaço do passado. Descobri que não existem mulheres difíceis, há apenas aquelas que não sentem nada por você. Descobri que empatia me permite perceber o valor que há no outro lado da moeda. Descobri que a alegria da festa é gente que vai para festa com alegria.
Descobri que se distrair nada mais é que passar a prestar mais atenção à outra coisa, e que não dá para olhar dentro de dois olhos ao mesmo tempo. Descobri que a princípio não existem pessoas confiáveis, mas sim confianças que são construídas com o tempo. Descobri que toda escolha caminha junto com uma renúncia. Descobri que há pessoas que são para uma noite, mas que eu prefiro as que são para a vida. Descobri que aprender é crescer-se para dentro, e que o que há de mais poderoso nas pessoas é justamente aquilo que elas não podem ver ou tocar (amor, saudade, fé, esperança, medo, paixão, raiva, ciúmes, felicidade, os sonhos...).Descobri que a afinidade nos poupa alguns anos, ao passo que no faz querer muitos outros. Descobri que gosto do que tem vestígio de gente; vestígio de vida. Descobri que minhas descobertas são minhas invenções, e que se eu discordasse de mim mesmo, defenderia isso com a mesma verdade...