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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Sou um cabra de sorte:
não é que te encontrei
antes da minha morte?

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Sujeira na louça?
Se não tem jeito
vai à força.
Todo dia o mundo acaba
pelos menos para os
que não sentem mais nada.
Governante diferente mas
nada de novo, todos
usufruem da ignorância do povo.
Escrevo e acho que
estrago, não ver de novo
para mim é um afago .
Luz apagada, descanso
profundo, nada mais é
que viagem a outro mundo .
Nem te conto;
todo o dia adia
o nosso encontro

Noite adentro
sons estranhos
discutem com o vento.

hai cai

No jogo não se sente a ferida
pode -se num botão
iniciar uma outra vida.

domingo, 24 de outubro de 2010

Olha ...eu preciso confessar: eu sinto muito.
Eh! Sinto muito, mesmo. Eu me importo com
cada coisa pequena, terrena, distante ou próxima,
que parece não ter importância, mas que eu me importo.
Ás vezes eu observo uma formiga tentando carregar
uma folha bem grande. Imagino o trabalho
que ela deve estar tendo para fazer aquilo .
E às vezes, quando a folha cai das “mãos” da formiga
, sinto uma pena. Dá uma vontade de ajudar, mas não
faço nada, apenas observo e sinto.
Há algum tempo eu encontrei um álbum bem
antigo que pertencia ao meu avô, e comecei a
ver pessoas e lugares que eu nunca cheguei a
conhecer, seus rostos, com sorrisos simples, suas
roupas, a vida simples, em casas mais simples
ainda, a satisfação simples de estar tirando
uma foto(Gente de verdade !).
Perguntei quem eram e ele foi me dizendo
o nome de cada uma, a importância de
cada uma, o papel que todos desempenharam
na vida dele. Depois disso ele parou por um instante.
Ficamos em silêncio (Deu até para ouvir o relógio martelando o tempo. A janela estava aberta e entrou um vento desses que leva um pedacinho da gente, e o meu avô...fundo, respirou e me inspirou saudade) Eu senti aquilo tudo, em fração de segundos, como se fosse meu, como se aquelas pessoas tivessem feito parte de toda a minha vida, como se eu soubesse os segredos delas e elas os meus, senti as risadas, as lágrimas, as discussões, a distância que as separava do meu avô, os sonhos e a dor. Fechamos o álbum e ele disse com tristeza, com muita tristeza, que a maioria daquelas pessoas não mais existiam, e as que existiam,
ele nunca mais havia visto. E eu disse:” vô, eu sinto muito, sinto muito mesmo” .

quarta-feira, 20 de outubro de 2010



Se me pedisses para eu não te olhar
eu saberia exatamente o significado
do impossível, pois até as nuvens
te espiam quando você passa...

O avozinho, ao te ver
descuida-se do neto pequeno
e arrepende-se de já ser avô
enquanto o netinho, perdido
pergunta-se o motivo de já não
ser um pouco mais velho.

Se mesmo quem não pode ver
sabe da sua presença
(pois o cheiro de flor se percebe pela ponta no nariz e ...)

Se até as pessoas sem graça
quando te veem, tentam
pensar em algo engraçado
para poder te dizer,
só para deixarem de ser o que
são através do seu sorriso.

Se até as lembranças daqueles que te conhecem,
fazem de tudo para aparecer
no momento em que vocês
se encontram, só para permitir ao dono delas
um pouco mais de tempo na sua presença.

Se até a lâmpada daquele poste
do outro lado da rua acende-se
quando percebe que você está chegando
e quando você se vai, de tristeza, ela volta à escuridão.

Se até suas lágrimas quando caem, não usam
para-quedas, porque mesmo antes de percorrerem seu
rosto de céu, já sabem, só pela vista,
que não existe aventura que traga
mais perigo e mais prazer do que esta.

Se até o poema sentiu vontade de surgir
quando soube que era para ti, e mesmo depois
de pronto, não chegou ao fim
transformou-se na metáfora do seu ser...

...não há como deixar de te admirar e não
há como não perceber quanto sabes ser especial.
Digo-te apenas que tenhas cuidado
pois há homens que dizem amar uma
mulher para conquistá-la, e você por ser tão linda
os encontrará em seu caminho,
mas ainda existem alguns poucos
que primeiro te conquistam e só
depois declaram o amor que têm.

sábado, 16 de outubro de 2010

Venha ver,
amor
vou voar
vendo você
ficar, talvez
sem dor.
Enchendo os vasos
várias vezes
não de flores
mas de versos
verdadeiros
sem saída
que pela noite
venham a
vagalumear -me
a vida.
À espera
ficarás,
até o dia
do olho a olho
sem choro
sem saudade,
sei que pedir
isso é maldade
mas é a minha
forma de consolo.