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domingo, 5 de junho de 2011

Fica sempre essa esperança de te
adivinhar a todo momento,
e de crescer contigo, te olhar
dentro dos olhos por alguns
instantes, e dar um sorriso leve
, passar a mão pelo seu cabelo, e
tocar sua cintura, e depois te
apertar contra o meu peito, te
respirando devagar, algo parecido
com as ondas do mar, quando
se entregam à areia da praia, e
depois se recolhem para aquela
solidão imensa, e te dizer, como
quem brinca, que a curva do seu
sorriso me faz perder toda a direção .

(Para ser poeta não é preciso ser um pessoa, basta ser pessoa)

domingo, 22 de maio de 2011

Interior


Azul, o céu invade a minha janela e eu a ela me incorporo.
Na rua sorrisos vestem-se de lábios pintados
e brincos brincam em orelhas, por detrás de cabelos pretos e
castanhos, vestidos rodam em corpos suados e você de
arco-íris, não sabe o quanto te quero.
A alma trêmula à revoada dos pássaros e vejo seu corpo
arrepiando-se ao passear do vento, ah!Que momento.
Você ao me ver vem me cumprimentar,
o que teria feito eu para merecer tal atenção?
Não sei, mas pouco me importo, apenas te beijo.
Quando você se vai, há um lugar a mais na minha
calçada e uma saudade a mais no meu coração...
Os vestidos, os brincos e os sorrisos começam
a se distanciar, meu irmão pergunta
onde a mãe colocou o copo dele tomar leite
e eu percebo o quanto nossas vidas
estão atreladas ao devenir do tempo
e o quanto o tempo é curto para
aqueles que se divertem.

(Longe da cidade grande a idade ainda se expande um pouco mais devagar...)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Sombra e dúvidas

 
                                
Às vezes eu invento loucuras, loucuras
tantas... Mas não é intencional.
Existe uma parte de mim que
não me pertence, parece ter vida
própria, e que se esconde, mas quando
resolve aparecer, nossa! Me domina.
Na verdade, minha mente mente para
mim, e eu acredito, e por acreditar, tomo
isso como verdade, e sigo, e isso tem
me ajudado a saber quem eu me torno
a cada dia, e ao mesmo tempo me
empurra para tentar descobrir
aquilo que são as minhas suspeitas.
É uma reunião de “Mins”, um diálogo
a sós, a descoberta dos meus “eus”, nus
e crus, tudo isso em face de uma
ininterrupta construção x desconstrução
das minhas verdades, dos meus “sins”, e
dos “nãos”, do que eu vejo em mim
como qualidades e como defeitos, diante
de todos os textos que há no lado de
dentro, e de fora, diante da possibilidade
de fazer muitas coisas, e impossibilidade
de tantas outras, a aceitação das minhas
fraquezas, e o apoio àquilo que me faz
forte, e depois, quando isso vai embora, eu
fico com a impressão de que ele vai se sentar
à sombra da minha alma...

domingo, 8 de maio de 2011

O poeta vive de poesia?
E esta, vive daquele?
Não sei, mas confesso
que me confessar é
muito difícil e que
um tal ritmo tem
embalado o meu

coração, que tem se
divertido no meio da
rua, dentro da água, aqui
e ali...ali no céu .

Quero escrever um
verso que tenha um
pouco de ternura, que
me eternize como abraço

que se dá em criança,
que tenha a leve beleza
de contemplar o seu sono,
e que ao acabar, espalhe o
seu perfume pelo resto do futuro .

Quero fazer um verso de
atenção e segurança, e que
ele seja um pouco de diário
para que quando você o abrir
descubra que numa dessas
muitas noites que se foram,
eu deixei escapar um devaneio
dizendo que “...ouvir a chuva passeando lá fora e dentro da madrugada
me fez sentir vontade de morar aí, dentro de você. “

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Tenho veneração pela palavra
saudade, e respeito
pela palavra azul.

Há tempos que morro e
continuo morrendo, e
há dias que nasci e
continuo a nascer.

Tenho destruído todos os
meus sentidos quando
os uso, e vou me acumulando
para inundar-me e me
transbordar num poema.

Às vezes eu choro, e prefiro
pensar que minha alma está
varrendo a terra, e quando
me sento numa sombra, ela
me carrega para dentro
e eu sinto todo o universo
que eu nunca poderei ver.

Enxergo a paixão como
o amor quando ainda criança,
e prefiro chamar de loucura
as essas coisas maravilhosas
que sinto, mas que nunca
vou conseguir dizer.

Aprendi a gostar do “eu amo você”
que não é dito, mas fica implícito
naquele sorriso que eu
me reconheço como alvo.

Um poema me disse ser muitos
momentos em um só, e hoje...hoje um
verso me olhou como quem olha
de dentro da própria casa, saiu,
veio me cumprimentar, cravando
seu nome em minha mão.

terça-feira, 12 de abril de 2011


Por que ser início, meio ou fim?
-Eu prefiro é ser estrada.

Por que verão ou inverno?
-Eu estou no passar do tempo.

Por que o samba ou rock?
-Eu gosto é de música.

Por que a loira ou a morena?
-A mulher é o encanto.

Por que a praia ou interior?
-Eu gosto é de viajar.

Por que short ou calça?
-Eu quero é me sentir bem.

Por que não decide o que quer?
-O que eu quero é o momento
e tudo o que está por fora ou por dentro,
seja lá o que for.

Por que pensas assim?
-Não sei, e nunca vou saber,e se eu soubesse
deixaria de ser eu .

Por que és tão contraditório ?
-As coisas têm muitos lados; contradição
pode ser sinônimo de sua capacidade de perceber
essas nuanças, mas nem por isso, ter tanta certeza.

Por que não me deu as respostas
que eu queria?
-Porque eu falei o que eu penso,
e isso vai além do que você quer .

Por que és poeta ?
-Porque eu não tenho certeza.
Tem certeza disso?
-Também não!

( Espíritos como o meu nunca chegam ao final de nada...para eles , a chegada é o início de um novo retorno …)



sábado, 9 de abril de 2011

Não quero

Não quero dizer o que sinto, se o que sinto não modificar nada após eu dizê-lo...
Não quero me apaixonar por alguém que não tenha a mesma sorte que  eu tive...
Não quero mudar o mundo, se o mundo, por mim, não quiser ser mudado...
Não quero ser justo com aqueles que riem da justiça...
Não quero esperar as coisas acontecerem por elas mesmas, talvez elas nunca se sintam à vontade para  acontecer, só porque estavam  à minha espera...
Não quero permitir que o dia passe por mim, sem ouvir de mim um “bom  dia”...
Não quero que o nascer do sorriso de alguém que amo não me tenha como expectador ávido pela sua chegada...
Não quero desperdiçar o meu tempo com coisas que não me fazem bem...
Não quero perder meus amores, mesmo que para isso eu precise combater a mim mesmo...
Não quero me despedir de você sem saber que ambos ficaram à espera do reencontro...
Não quero pensar que terminei algo e depois de um tempo sentir a dúvida se errei ou acertei...
Não quero viajar só para dizer que viajei, quero sentir saudades de casa e quando voltar, querer voltar novamente...
Não quero acabar de fazer um poema, quero que ele se sinta à vontade, dentro ou fora de mim, dentro para se perder e fora para me encontrar...
(Texto que encontrei num caderno que usei em 2006, nem me lembrava mais)