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domingo, 8 de maio de 2011

O poeta vive de poesia?
E esta, vive daquele?
Não sei, mas confesso
que me confessar é
muito difícil e que
um tal ritmo tem
embalado o meu

coração, que tem se
divertido no meio da
rua, dentro da água, aqui
e ali...ali no céu .

Quero escrever um
verso que tenha um
pouco de ternura, que
me eternize como abraço

que se dá em criança,
que tenha a leve beleza
de contemplar o seu sono,
e que ao acabar, espalhe o
seu perfume pelo resto do futuro .

Quero fazer um verso de
atenção e segurança, e que
ele seja um pouco de diário
para que quando você o abrir
descubra que numa dessas
muitas noites que se foram,
eu deixei escapar um devaneio
dizendo que “...ouvir a chuva passeando lá fora e dentro da madrugada
me fez sentir vontade de morar aí, dentro de você. “

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Tenho veneração pela palavra
saudade, e respeito
pela palavra azul.

Há tempos que morro e
continuo morrendo, e
há dias que nasci e
continuo a nascer.

Tenho destruído todos os
meus sentidos quando
os uso, e vou me acumulando
para inundar-me e me
transbordar num poema.

Às vezes eu choro, e prefiro
pensar que minha alma está
varrendo a terra, e quando
me sento numa sombra, ela
me carrega para dentro
e eu sinto todo o universo
que eu nunca poderei ver.

Enxergo a paixão como
o amor quando ainda criança,
e prefiro chamar de loucura
as essas coisas maravilhosas
que sinto, mas que nunca
vou conseguir dizer.

Aprendi a gostar do “eu amo você”
que não é dito, mas fica implícito
naquele sorriso que eu
me reconheço como alvo.

Um poema me disse ser muitos
momentos em um só, e hoje...hoje um
verso me olhou como quem olha
de dentro da própria casa, saiu,
veio me cumprimentar, cravando
seu nome em minha mão.

terça-feira, 12 de abril de 2011


Por que ser início, meio ou fim?
-Eu prefiro é ser estrada.

Por que verão ou inverno?
-Eu estou no passar do tempo.

Por que o samba ou rock?
-Eu gosto é de música.

Por que a loira ou a morena?
-A mulher é o encanto.

Por que a praia ou interior?
-Eu gosto é de viajar.

Por que short ou calça?
-Eu quero é me sentir bem.

Por que não decide o que quer?
-O que eu quero é o momento
e tudo o que está por fora ou por dentro,
seja lá o que for.

Por que pensas assim?
-Não sei, e nunca vou saber,e se eu soubesse
deixaria de ser eu .

Por que és tão contraditório ?
-As coisas têm muitos lados; contradição
pode ser sinônimo de sua capacidade de perceber
essas nuanças, mas nem por isso, ter tanta certeza.

Por que não me deu as respostas
que eu queria?
-Porque eu falei o que eu penso,
e isso vai além do que você quer .

Por que és poeta ?
-Porque eu não tenho certeza.
Tem certeza disso?
-Também não!

( Espíritos como o meu nunca chegam ao final de nada...para eles , a chegada é o início de um novo retorno …)



sábado, 9 de abril de 2011

Não quero

Não quero dizer o que sinto, se o que sinto não modificar nada após eu dizê-lo...
Não quero me apaixonar por alguém que não tenha a mesma sorte que  eu tive...
Não quero mudar o mundo, se o mundo, por mim, não quiser ser mudado...
Não quero ser justo com aqueles que riem da justiça...
Não quero esperar as coisas acontecerem por elas mesmas, talvez elas nunca se sintam à vontade para  acontecer, só porque estavam  à minha espera...
Não quero permitir que o dia passe por mim, sem ouvir de mim um “bom  dia”...
Não quero que o nascer do sorriso de alguém que amo não me tenha como expectador ávido pela sua chegada...
Não quero desperdiçar o meu tempo com coisas que não me fazem bem...
Não quero perder meus amores, mesmo que para isso eu precise combater a mim mesmo...
Não quero me despedir de você sem saber que ambos ficaram à espera do reencontro...
Não quero pensar que terminei algo e depois de um tempo sentir a dúvida se errei ou acertei...
Não quero viajar só para dizer que viajei, quero sentir saudades de casa e quando voltar, querer voltar novamente...
Não quero acabar de fazer um poema, quero que ele se sinta à vontade, dentro ou fora de mim, dentro para se perder e fora para me encontrar...
(Texto que encontrei num caderno que usei em 2006, nem me lembrava mais)

quinta-feira, 31 de março de 2011

Descalço

Poema descalço caminha aqui dentro
olhos vestidos passam pela paisagem
pensamento viaja e traz na bagagem
aquilo que se chama momento.

Não possui a idade aparentada
e nem sabe quanto tempo dura
mas entende-se como uma gravura
que se joga de onde está grudada.

Areia nos pés, um vento que corta
não sei quem tu és, e isso não importa
o corte não sangra mas incomoda.

O menino cresceu mas ainda é criança
eu não sou mais seu, já danço outra dança
e tudo que me lembro, caminha aqui dentro .

quarta-feira, 23 de março de 2011

Quando o dia limpa a tinta
escura da noite, os pássaros se
iniciam pelo céu, e eu sinto um
cheiro de café recém nascido,
e o sol começa a caminhar
acima de nossas cabeças.

A minha intuição diz que
a minha intuição pode
se enganar, mas eu estou vivo, e
não há nada no mundo
que seja mais meu do que isso.

Às vezes o vento mente
e eu até penso que é gente,
mas logo eu que sinto como
se tivesse sido feito para o mar ?

À tarde, uma janela aberta liberta o meu olhar;
eu observo os meus amigos e as flores
(que para mim são sinônimos),
e saio de casa pela porta dos fundos
como quem estivesse ganhando o mundo.
(o mundo que diminuiu ao passo que eu cresci)


Penso em todos os portos e em todos os barcos
de todos possíveis, penso em todos os rios e rio,
penso estar andando nos telhados de todas
as casas e me deitando em todas as
redes, matando todas as sedes
que a minha alma possa vir a sentir,
e me engano.

Vivo como quem jardina
e de vez em quando tem uma louca
vontade de molhar a palavra, para cultivar
as flores que aparecem no túmulo dos
meus amores que foram embora...

...mas que ainda permanecem
por perto...







domingo, 13 de março de 2011

Um leitor

Aprendi nas aulas de português um conceito de texto “ ...qualquer unidade de comunicação “.
Então eu percebi que eu já sabia ler desde antes de aprender um pouco das letras. O que todo bebê faz quando entende que está com fome ou com dor?Chora, simplesmente chora, e qual é a mãe que não entende? As pessoas, que são iguais, são, ao mesmo tempo, extremamente diferentes, e quem não percebe isso? A vida é um texto em sua totalidade, e cada um a vê por um ângulo diferente, próprio, por assim dizer. A natureza em si, é um texto perfeito. Para mim, os pássaros cantando na copa das árvores estão dizendo que o dia vem vindo ou está indo embora, e ao mesmo tempo denunciam o seu plano de me fazerem bem. O vento soprando é como o médico, diz: “ respira e inspira, devagar “. O feixe de luz que entra nos pequenos espaços nas telhas fala que é hora de acordar. O silêncio me afirma, de maneira categórica, que eu sou capaz de ouvir. O tempo, essa espécie de andarilho-fantasma, que não se vê , marca o nosso rosto a cada passo que dá nos ponteiros do relógio, caminhando para o infinito. A saudade desenha nas lembranças um quadro de uma paisagem que não mais existe. A moça bonita, de vestido, faz um convite com o olhar e com um sorriso, e lê-se: “eu também gostei de você “.  As paixões chamam o nosso peito e falam “eu sou de verdade, e você?” Ah! O mundo está todo apinhado de textos esperando por seus leitores, e estes, na escrita de suas próprias vidas, irão perceber que há textos que a única forma de traduzi-los é sentindo-os, sem sermos capazes de explicá-los...na mais pura contemplação do seu silêncio, o qual pertence única e exclusivamente a cada pessoa .