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domingo, 13 de março de 2011

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Orgulhoso


Não suporto a ideia de ter sido
tão orgulhoso a ponto de não
permitir ao menos uma simples
conversa entre a gente.

Fui mesmo muito pequeno
diante do que eu sentia.
(Mas confesso, você estava tão linda...)

As luzes, os convidados, as roupas
as bebidas, a música, os perfumes
a noite, tudo parecia ter sido feito
para aqueles segundos em que
os nossos olhares se encontraram .

Fiquei imóvel e em total silêncio
por alguns segundos, depois,
fiz aquela cara de paisagem
fingindo que estava tudo bem,
e que a sua presença ali
não era nem digna de ser notada,
mas por dentro, meu Deus!

Por dentro a guerra contra mim
mesmo já havia chegado à fronteira
que divide meu peito e minha garganta,
destruindo uma a uma as minhas defesas
fazendo o medo correr pelo meu sangue
e me dando a certeza de que se você
viesse me dar um abraço, apenas um
simples abraço, eu estaria em paz,
eu dormiria em paz, eu viveria em paz...

mas...você não veio, e eu não fui…
tomei alguns drinques,
joguei conversa fora,
observei um relógio com
os ponteiros parados, mas que
não impediram que o tempo e
a noite passassem tão depressa,

e hoje, depois de todo esse tempo
a lembrança e a certeza que ficam
são as de que você partiu e que o caminho
que você trilhou em mim ainda permanece aberto.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

 
Chegue e fique mais perto
que eu aperto o meu peito
contra o seu para saber que
é real, que somos reais e

que nos queremos,
e que nos queremos bem,
para saber que sou seu
mesmo que eu vá embora
e saber que és minha

mesmo sendo muitas,
e que também podes ir
ao passo que o seu coração
te pedir, e que a sala de espera
do meu coração fique vazia
até que você volte para preenchê-la,
e que eu me torne a tua companhia
e você, a minha.

Chegue mais para eu te
ensinar e aprender que de perto,
a pessoa amada possui o
tamanho do nosso abraço
mas de longe...ela deixa de
caber em nosso coração .

domingo, 16 de janeiro de 2011

Escrevo

Eu escrevo como quem caminha e depois de um tempo
para, para um descanso, e tem a ligeira impressão
de que é a estrada quem continua a dar os passos.

Escrevo como quem fica à beira da praia observando
a maneira como o sol entra de-va-ga-ri-nho,
na imensidão do mar, como se fosse tomar
um banho no fim da tarde.

Escrevo como se aqui dentro existisse uma tal
ventania, e como se as palavras fossem essa ventania
dando assovios, daqueles que a gente dá quando
queremos que alguém venha nos abrir a porta
para que possamos entrar e ficar a ouvir o
vento que há por fora.

Escrevo como quem percebe que mesmo quando
falamos, há sempre um lado nosso que fica em total
silêncio, e que, mesmo calados, o dialogo não cessa.

Escrevo como quem sobreviveu à morte da esperança.

Escrevo como quem tem saudade e a vê como
um traço de maldade filho da distância e do tempo.

Escrevo como quem precisa jorrar as palavras
para se conter.

Escrevo como quem se recorda...das antigas amizades,
da infância, dos amores que não viveu, das brigas,
dos corações partidos, dos silêncios,
dos fins de semana na casa dos avós...
escrevo mesmo como quem se recorda, e por isso
sente que se lembrar é uma maneira
de voltar a viver por dentro
aquilo que vivemos por fora.


terça-feira, 11 de janeiro de 2011


Eu me deixei em silêncio, e deu
para ouvir o meu peito sussurrando.
Imaginei tantas coisas, mas
nenhuma envolvia o
que estou sentindo agora.

De repente te enxerguei, e
quis gostar, me permitir,
e achei que fosse recíproco,
agora sei que gostei sozinho,
que imaginei sozinho,
que te quis sozinho,
e agora, ainda só, me perco,
sem sair do lugar.

Daqui de dentro eu me
pergunto quem emudeceu
a rua, quem deixou a madrugada
sem a nossa presença, e me
pergunto se é de dor que a cigarra grita.

Quero mesmo te dizer, menina,
sabendo agora que nunca fomos
nada, além de amigos, que eu
queria mais, mais que amizade,
mais que a rua deserta e calada,
numa madrugada fresca e primaveril,

eu queria ter você, não só
por dentro, mas ao meu lado,
ou em meus braços, no mais
tênue silêncio de um beijo no olho,
e que esse fosse o tempo bom

de que falam as canções, e que
durasse um bom tempo,
mas assim não o foi, não é?
E hoje eu nem mais espero,
e para falar a verdade...nem sei se desespero.