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terça-feira, 12 de julho de 2011

Eu pensei que o meu amor fosse esperar, e que haveria tempo para que pudéssemos ajustar os nossos relógios no mesmo ponto. Eu achei que a esperança da sua presença, e esta, pudessem varrer a tristeza e o vazio que me sujam a alma. Pensei  ter encontrado em você uma boa seara para eu plantar as melhores sementes que há em mim. Pensei ser capaz de controlar o ciúme que me morde a garganta. Pensei em nós dois viajando um no outro, e nos perdendo, por nos desconhecermos. Pensei num horizonte de coisas para nós, só não havia pensado que eu fosse desistir tão facilmente da gente, e pelo simples fato de não ter certeza sobre o que você pensa e sente por mim.

(Estou partido, e quem é que nunca esteve? Estou partindo, e quem é que nunca partiu? Mas vou me recuperar, não é para isso que a vida serve?)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Nos lugares onde deixei crescer o
meu olhar eu não te vi em momento

algum, mas quando o meu silêncio
cresceu no aperto do meu passo, eu te
senti ao meu lado. Imagem quieta, mas
que caminhava comigo.
Acho que já te materializei dentro de mim.

sábado, 18 de junho de 2011


O dia adia o nosso encontro, pronto!
Eis as constatações:
De uns tempos para cá a vida
anda tão igual(ou será que fui eu que mudei?)
Nesse período, dias e noites foram
tocados com as mesmas notas, mas em
tempos diferentes.
Na TV, os mesmos programas de sempre,
trazendo o mesmo entretenimento,
e este, produzindo monólogos
que silenciam famílias.
Nas ruas, os carros correm, as pessoas
também, os corações batem, porém não
se tocam, as pessoas se olham mas não se veem ...

No meu peito há confusões
soluços e soluções convergindo
e criando um vento de vida.

Vejo um mundo que se tornou tonto,
(talvez por dar tantas voltas e não chegar a lugar nenhum)
Guerras explodem com proporções enormes, aqui e ali,
mas poucas pessoas sabem, e se sabem, pouco se importam .
O dia-a-dia sem você me permite
perceber o que me envolta, e tudo isso para eu saber
que se você estivesse por perto
eu estaria bem mais feliz.

domingo, 5 de junho de 2011

Fica sempre essa esperança de te
adivinhar a todo momento,
e de crescer contigo, te olhar
dentro dos olhos por alguns
instantes, e dar um sorriso leve
, passar a mão pelo seu cabelo, e
tocar sua cintura, e depois te
apertar contra o meu peito, te
respirando devagar, algo parecido
com as ondas do mar, quando
se entregam à areia da praia, e
depois se recolhem para aquela
solidão imensa, e te dizer, como
quem brinca, que a curva do seu
sorriso me faz perder toda a direção .

(Para ser poeta não é preciso ser um pessoa, basta ser pessoa)

domingo, 22 de maio de 2011

Interior


Azul, o céu invade a minha janela e eu a ela me incorporo.
Na rua sorrisos vestem-se de lábios pintados
e brincos brincam em orelhas, por detrás de cabelos pretos e
castanhos, vestidos rodam em corpos suados e você de
arco-íris, não sabe o quanto te quero.
A alma trêmula à revoada dos pássaros e vejo seu corpo
arrepiando-se ao passear do vento, ah!Que momento.
Você ao me ver vem me cumprimentar,
o que teria feito eu para merecer tal atenção?
Não sei, mas pouco me importo, apenas te beijo.
Quando você se vai, há um lugar a mais na minha
calçada e uma saudade a mais no meu coração...
Os vestidos, os brincos e os sorrisos começam
a se distanciar, meu irmão pergunta
onde a mãe colocou o copo dele tomar leite
e eu percebo o quanto nossas vidas
estão atreladas ao devenir do tempo
e o quanto o tempo é curto para
aqueles que se divertem.

(Longe da cidade grande a idade ainda se expande um pouco mais devagar...)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Sombra e dúvidas

 
                                
Às vezes eu invento loucuras, loucuras
tantas... Mas não é intencional.
Existe uma parte de mim que
não me pertence, parece ter vida
própria, e que se esconde, mas quando
resolve aparecer, nossa! Me domina.
Na verdade, minha mente mente para
mim, e eu acredito, e por acreditar, tomo
isso como verdade, e sigo, e isso tem
me ajudado a saber quem eu me torno
a cada dia, e ao mesmo tempo me
empurra para tentar descobrir
aquilo que são as minhas suspeitas.
É uma reunião de “Mins”, um diálogo
a sós, a descoberta dos meus “eus”, nus
e crus, tudo isso em face de uma
ininterrupta construção x desconstrução
das minhas verdades, dos meus “sins”, e
dos “nãos”, do que eu vejo em mim
como qualidades e como defeitos, diante
de todos os textos que há no lado de
dentro, e de fora, diante da possibilidade
de fazer muitas coisas, e impossibilidade
de tantas outras, a aceitação das minhas
fraquezas, e o apoio àquilo que me faz
forte, e depois, quando isso vai embora, eu
fico com a impressão de que ele vai se sentar
à sombra da minha alma...

domingo, 8 de maio de 2011

O poeta vive de poesia?
E esta, vive daquele?
Não sei, mas confesso
que me confessar é
muito difícil e que
um tal ritmo tem
embalado o meu

coração, que tem se
divertido no meio da
rua, dentro da água, aqui
e ali...ali no céu .

Quero escrever um
verso que tenha um
pouco de ternura, que
me eternize como abraço

que se dá em criança,
que tenha a leve beleza
de contemplar o seu sono,
e que ao acabar, espalhe o
seu perfume pelo resto do futuro .

Quero fazer um verso de
atenção e segurança, e que
ele seja um pouco de diário
para que quando você o abrir
descubra que numa dessas
muitas noites que se foram,
eu deixei escapar um devaneio
dizendo que “...ouvir a chuva passeando lá fora e dentro da madrugada
me fez sentir vontade de morar aí, dentro de você. “